sexta-feira, 18 de maio de 2012

Vento confidente

Em meu sonho, o vento me contou que teus olhos tem o castanho mais bonito que há. Me contou que a tua pele tem um perfume indecifrável, tem o perfume dos teus olhos serenos. Ele me contou que quando bate em seus cabelos, se perde nos movimentos embriagantes que teus fios fazem e se encontra em teus dedos, tentando arrumá-los. Ele me confessou que se fez descontente com o tempo, que teima em sua efemeridade, não guardar o teu sorriso pra eternidade, para os dias infinitos. Mas não culpo o tempo, é apenas uma criança impaciente e ansiosa, que faz de cada segundo um pedaço de seu quebra-cabeça, cujo qual vai montando incessantemente o abstrato da história. Como é tolo o tempo! Ele devia parar um instante para te observar. Observar como você se movimenta e como isso parece tão angelical. Veria como seus defeitos se tornam as notas de uma música. Música que o vento carrega em suas costas e traz para mim, sim, para mim. Quão sortudo o vento é, que surge dos quatro cantos para te envolver de uma só vez, te abraçar afavelmente, cortês. Todas essas coisas ele me contou aos murmúrios. Mas talvez não fosse o vento...talvez não fosse um sonho.

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