Em meu sonho, o vento me contou que teus olhos tem o castanho mais
bonito que há. Me contou que a tua pele tem um perfume indecifrável, tem
o perfume dos teus olhos serenos. Ele me contou que quando bate em seus
cabelos, se perde nos movimentos embriagantes que teus fios fazem e se
encontra em teus dedos, tentando arrumá-los. Ele me confessou que se fez
descontente com o tempo, que teima em sua efemeridade, não guardar o
teu sorriso pra eternidade, para os dias infinitos. Mas não culpo o
tempo, é apenas uma criança impaciente e ansiosa, que faz de cada
segundo um pedaço de seu quebra-cabeça, cujo qual vai montando
incessantemente o abstrato da história. Como é tolo o tempo! Ele devia
parar um instante para te observar. Observar como você se movimenta e
como isso parece tão angelical. Veria como seus defeitos se tornam as
notas de uma música. Música que o vento carrega em suas costas e traz
para mim, sim, para mim. Quão sortudo o vento é, que surge dos quatro
cantos para te envolver de uma só vez, te abraçar afavelmente, cortês.
Todas essas coisas ele me contou aos murmúrios. Mas talvez não fosse o
vento...talvez não fosse um sonho.
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