Olhei para os meus pés. Eles se
encontravam afundados na areia com os restos das borbulhas provenientes das ondas
do mar, que vagarosas e geladas, vinham de encontro a mim de tempos em tempos. Voltei
meus olhos para o infinito do mar e ali gastei alguns segundos. O que toda a
sua imensidão esconde de mim? Minha curiosidade e ansiedade, esperança e devoção se
estendem até ali, naquela linha onde o azul da água emenda com o azul do céu. Sorri
para mim mesma e sai correndo, sentindo o áspero da areia e o toque suave do vento em
meu rosto, chicoteando meus cabelos negros como cobras enfurecidas. Subindo ao cais e entrando na
pacata cidade, ninguém se encontrava na rua. Ninguém, a não ser por um velho, que em sua bicicleta, carregava algumas frutas na cesta. Suas rugas carregavam história
e experiência. Sua boca carregava um sorriso desajeitado, como quem espera a
morte com a certeza de que ela virá humilde, suave e trajando bonitas vestes. Talvez seu sorriso se desse pela bonita manhã, não sei ao certo. Não pude
encará-lo. Caminhei de cabeça baixa observando as pedras que se encontravam em
meu caminho e ignorei todas. Eu não pertencia àquele lugar.
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